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Turismo sustentável: uma equação difícil de ser fechada Turismo sustentável: uma equação difícil de ser fechada

Turismo sustentável: uma equação difícil de ser fechada

Turismo sustentável Fábio Luciano Violin
Post por: 12/04/2017 0 comentários 207 views
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2017: Ano Internacional do Turismo Sustentável. Mas o que isso significa?

 

Artigo: Fábio Luciano Violin

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que 2017 é o Ano Internacional do Turismo Sustentável. Mas o que isso significa? Por quais motivos essa temática é importante? O que é turismo sustentável?

O planeta tem, aproximadamente, sete bilhões de pessoas e, dessas, cerca de um bilhão realiza viagens. Porém, o turismo não se encontra apenas nas viagens. A profissão de turismólogo engloba também o setor de eventos; meios de hospedagem; agenciamento de viagens; alimentos e bebidas; transporte aéreo, marítimo, ferroviário e rodoviário; ecoturismo; mercadologia e estratégias públicas e privadas. Além das áreas de preservação de espaços naturais, tais como parques, reservas ecológicas e patrimônio material e imaterial, entre outras possibilidades.

Ao se entender que o turista é aquele que movimenta-se para além de seu espaço de origem e consome deslocamento, alimentação, bebidas, estadia, cultura, lazer, infraestrutura básica (rodovias, segurança, saúde, comunicação etc.), dança, música, história e tudo o mais, observamos que as viagens compõem apenas uma parte do que vem a ser o turismo e não considera o verdadeiro tamanho do exército de pessoas e organizações que trabalham no setor ao redor do mundo e, por decorrência, seus impactos.

É preciso observar que não existe atividade turística sem impacto nos locais que acomodam algum tipo de atrativo, seja uma festa regional, um passeio a museu, a locação de uma chalana, a compra de peças artesanais, uma caminhada, cavalgada, pescaria, o desfrute em um cruzeiro ou à beira de uma bela praia. O fato é que, onde existe o turismo, os espaços são impactados de modo positivo ou negativo pela atividade.

Os impactos positivos mais facilmente observáveis – que não constituem regra – são:  geração de emprego e renda; em alguns casos, preservação dos espaços, das tradições e da história; melhoria da qualidade de vida dos autóctones (originários de uma localidade); programas sociais, ambientais e/ou financeiros; entre outros.

Os impactos negativos mais visíveis são: exploração de mão de obra; impactos ambientais negativos; degradação dos espaços; politicagem; degradação social e/ou econômica; outros mais.

Por sua vez, a sustentabilidade tem sido um tema discutido de modo recorrente, nas últimas décadas, e significa de modo simples o equacionamento de uma oferta que permita o equilíbrio entre o ambiente natural, os aspectos sociais e a necessidade econômica, ou seja, uma oferta que não agrida o meio ambiente, não gere exploração ou degradação de pessoas e que seja economicamente viável.

Esse é um conceito puro e livre das situações impactantes geradas pelos mais diversos grupos de interesses como, por exemplo: as pessoas querem receber por seus serviços, os empresários querem lucro pelo investimento e risco que correm, o governo quer seus impostos, o turista quer a melhor experiência que puder ter pelo tempo e dinheiro que está despendendo, o peixe e o macaquinho querem continuar vivos depois do contato com o humano, quer dizer, todos querem ganhar sempre. Deu para perceber que essa equação é muito difícil de ser fechada, com todos os envolvidos ganhando.

Desse modo, ao se pensar em turismo sustentável, se está pregando que a atividade que movimenta e impacta positivamente nas economias mundiais precisa ponderar todos os elementos que envolvem uma oferta. Perguntas como:

1) De que modo se tratará os resíduos gasosos, sólidos e líquidos de um empreendimento?

2) De que modo o ambiente (fauna, flora, espaços e componentes) podem ser menos impactados ou de que forma mitigar esses impactos?

3) Como melhorar a qualidade de vida dos colaboradores da empresa e também da população?

4) Como obter lucro sem explorar pessoas e meio ambiente?

Essas e tantas outras perguntas fazem emergir o entendimento dos motivos que levaram a ONU a declarar 2017 como o Ano do Turismo Sustentável. A massa de pessoas se deslocando e consumindo gera impactos de ordem gigantesca em todos os sentidos.

Vamos imaginar a quantidade de garrafas de água que um bilhão de pessoas consome. Imagine a quantidade de papel gerado por bilhetes ou ingressos para entrada em atrativos como parques, museus, mostras, meios de transporte e tantos outros.  Todos os números são grandiosos, mas o modo de acomodar esses impactos ainda é tratado, em grande parte dos casos, como antigamente: o resíduo que eu gero deixa de ser meu problema quando eu o coloco em uma lata de lixo.

Ter consciência social, ambiental e econômica sentado em uma confortável poltrona ou sofá, ou mesmo compartilhando algo pelas redes sociais, não nos torna cidadãos preparados para a nova era. Talvez, pequenas ações no nosso micro espaço de preservação e conservação sejam um primeiro passo.

Como modo de ilustrar, recordo-me de uma lição que presenciei quando criança. Na praia, um senhor fumava e tomava um refrigerante em lata na areia. Ao terminar seu refrigerante, ele colocou o resto do cigarro dentro da lata e a atirou ao mar. Todas as pessoas ficaram olhando, imóveis, aquele ato de falta de educação, de consciência e – por que não dizer? – de vergonha na cara. Um salva vidas correu para o mar, recuperou a lata e a entregou ao senhor, dizendo: “isso lhe pertence, tenha o capricho de jogar em uma lixeira.”

Essa foi, para mim, uma das maiores lições, quando o tema é sustentabilidade e responsabilidade individual.

Sobretudo, é preciso pensar e agir em meio aos espaços e situações. O turismo é uma janela aberta de possibilidades de transformação de ideias, processos, lugares e, principalmente, de pessoas.

Para além das palavras, o momento é de planejar e agir.

 

Fábio Luciano Violin é Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional. Coordenador e professor do curso de Turismo da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Unesp.
 

 

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