Revista do Turismo – Negócios e Eventos

Custo do QAV continua a impactar o turismo e a economia

Depois dos meses mais difíceis da pandemia, a aviação civil no Brasil começa a se recuperar, mas o país ainda ostenta a triste marca de ter um dos combustíveis mais caros do mundo. Nada menos que

40% dos custos das companhias aéreas são para pagamento do querosene de aviação (QAV).

Por que um preço tão alto? Tributação muito elevada, monopólio do setor de refino e falta de concorrência na distribuição do combustível de aviação são algumas explicações. O impacto do custo do QAV no turismo e na economia do país foi tema de um debate virtual realizado pelos jornais O Globo e Valor Econômico.

O secretário nacional de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann, destacou que o combustível de aviação será tema prioritário em 2021, falou sobre o compromisso do governo, já em execução, para acabar com o monopólio do refino do petróleo pela Petrobras e mencionou o esforço da Secretaria de Aviação Civil (SAC) para a extinção do PIS/Cofins que incide sobre o combustível de aviação.

“A redução dos custos no setor da aviação civil será decisiva para tornar as viagens ainda mais acessíveis para a população”, disse o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Juliano Noman. Ele citou como avanços do setor a permissão de investimentos estrangeiros e a diversificação nos modelos de negócios. Agora, segundo ele, é preciso equacionar problemas como o preço do combustível.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, disse que a dolarização da formação do preço do combustível de aviação é um forte componente que contribui para seu valor muito elevado.

“Enquanto aqui entre 38% e 40% do preço do bilhete que qualquer um de nós paga vai para pagar querosene, a média no planeta varia de 22% a 25%. Esses 15 pontos de diferença têm três canais de enfrentamento. Primeiro, o tributário, com ICMS, PIS/Cofins. Segundo, o monopólio do refino, da distribuição. Terceiro, a dolarização”, afirmou Sanovicz.

Apesar dos entraves, o CEO da Azul, John Rodgerson, acredita que 2021 será um ano decisivo na recuperação de passageiros, especialmente nos voos domésticos, mas segundo ele, a aviação civil precisa se tornar um setor competitivo e atraente. “Se reduzirmos o preço do combustível, muito mais empregos serão gerados. Haverá muito mais arrecadação. As pousadas, os restaurantes e os táxis ficarão cheios”, disse.

Para o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Barreto, a maneira de garantir maior dinâmica de preços dos combustíveis de aviação no país é trazer competição para esse mercado. Nesse sentido, disse ele, “o Estado não deve regular preços, mas evitar que o domínio de determinadas empresas seja prejudicial à livre concorrência e, consequentemente, ao consumidor”.

Já a presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Magda Nassar, alertou que o consumidor não tem uma noção muito clara sobre como se formam os preços das passagens aéreas no país e acaba culpando as companhias pelo alto custo e, às vezes, até as agências de viagens.

“Como vamos ser competitivos se os voos nacionais têm impostos e os internacionais não? As medidas têm que ser tomadas para ontem”, declarou a executiva.

Fontes: Refit/Valor Econômico/O Globo

Foto: Pixabay

Equipe RT

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